quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
A Previdência, A linha e as Entrelinhas
É realmente de espantar como a mídia nacional quer nos fazer de otários a fim de encobrir a corrupção, incompetência e safadeza de nossos governantes passados, presentes e provavelmente futuros.
No dia 25 de dezembro passado a folha on-line veiculou matéria sobre os estudos do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - sobre os índices de gastos previdenciários no Brasil.
No primeiro parágrafo da matéria o jornal informa que "o IPEA coloca o Brasil no topo da lista de países com maior gasto previdenciário no mundo, ao lado de Áustria, Polônia, Suíça e Uruguai, países com população mais envelhecida".
Já no terceiro parágrafo o jornal informa que "pelo tradicional "gasto como proporção do PIB" --conceito mais usual e também considerado no estudo--, os gastos com Previdência do Brasil correspondem a 11,7% do PIB e colocam o país como o 14º com mais gastos previdenciários no mundo, atrás de países como Itália (17,6%), Ucrânia (15,4%) e Uruguai (15%)".
Então não dá para entender qual a notícia correta. Ou o Brasil está no topo da lista (o que significaria estar em primeiro lugar) - pelo menos na minha época estar no topo era o mesmo que ser o primeiro - ou está no décimo quarto lugar, como afirmam no terceiro parágrafo.
Depois de uma chuva de números, da colocada afirmação do pesquisador do IPEA, Marcelo Caetano, de que "se um país tem muitos idosos, é aceitável que tenha uma despesa maior, mas não é o caso do Brasil", o jornal cita que "em entrevista, o ministro Luiz Marinho, responsável pela pasta, defendeu uma reforma cujo ponto principal é o aumento do tempo mínimo de contribuição em, ao menos, cinco anos - atualmente, o período é de 30 anos para mulheres e 35 para homens".
Essa lengalenga já é antiga e a nosso mídia oferece mais uma vez seu espaço, que deveria ser utilizado de forma cuidadosa, aos políticos de plantão, que não conseguem explicar até hoje, onde foi parar todo o dinheiro da previdência brasileira que deveria ter sido aplicado, gerando recursos futuros para pagamento dos benefícios presentes. Esse pacto foi feito com todos os trabalhadores no passado, que deram o suor de seus rostos para que o dinheiro da previdência, que deveria suprir os sistemas de saúde e aposentadoria, chegasse até eles de forma efetiva, através de programas sólidos e não fosse para a latrina política, como grande parte foi.
Gostaria muito mesmo que a folha e outros jornais do país também mostrassem todos os números que nos são negados, principalmente aqueles que vêm acompanhados com os nomes dos partidos e dos políticos que afanaram durante anos o dinheiro que devia ser bem empregado.
Agora, mais uma vez, a mídia tenta passar a idéia de que a culpa é nossa, e que, coitadinho do governo, vai ter que mudar as regras do jogo e fazer o cidadão de otário mais uma vez, pagando pelo que não deve e, ao contrário, teria de receber.
Muito bem. Teremos daqui alguns anos no Brasil uma legião de vovós e vovôs tomando o emprego de gente jovem. A não ser que o golpe seja mais sujo ainda e eles pretendam jogar toda essa gente no lixo justo na hora deles receberem os benefícios pelos quais pagaram a vida inteira. Tudo é possível, contanto que os nossos políticos continuem se aposentando com oito anos de mandato.
Vai ver que a vida é assim mesmo e não contaram pra gente.
A Liquidação do Natal
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Todo Mundo Quer Ajudar, Mas Ninguém Quer Parar de Comprar
A mídia, seja daqui do país do carnaval ou de lá do outro lado do mundo, da terra do Ching Ling, cumpre seu papel de desinformar e/ou de direcionar as mentes mais fracas para o que ela deseja que seja visto e pensado.
Por exemplo: ouve-se muito a mídia falar sobre as mudanças climáticas, mas muito pouco de quem são os responsáveis. Quando se fala em lucros para o país sempre a mídia corre na janela e grita aos quatro ventos os nomes das empresas que mais lucram, mas quando se trata de falar sobre quem está produzindo o aquecimento global ou contribuindo para que as coisas fiquem do mesmo jeito, nomes não são citados. Fica-se naquela generalização que tudo engloba e nada se explica.
Mas não é apenas isso. O mais espantoso é que, ao mesmo tempo em que a mídia corre de porta em porta batendo, esperneando e choramingando que o mundo pode acabar, ela sequer tem a coragem de tomar o assunto com a seriedade que merece e avisar o cidadão comum que ele tem um papel fundamental no processo todo.
Talvez ela haja dessa forma para não dar a entender que o cidadão comum, aquele que come pastel na feira, tem um papel fundamental em todas as coisas importantes que existem no mundo e que sua força está diretamente relacionada ao que ele sabe e conhece do mundo real.
Sim, porque se o cidadão soubesse de verdade que ele é quem manda em tudo, inclusive nos preços de todas as coisas, bem que a coisa poderia mudar não é mesmo?
No caso do efeito estufa, a mídia esquece de dizer ao cidadão que o que está acontecendo no mundo, é conseqüência em grande parte, de nossos hábitos de vida e consumo.
Mas quem é que vai dizer ao cidadão que ele deve parar de consumir as porcarias que não precisa de fato? Claro que não será a mídia, que vive exatamente disso, ou seja, das vendas das propagandas das porcarias que não precisamos de fato para sermos felizes e vivermos em paz.
Quando a mídia quiser de verdade discutir as mudanças climáticas, vai ter então que discutir nossos hábitos de consumo, e aí, como é que ela vai ganhar o seu rico dinheirinho se tiver que dizer para as pessoas que elas têm que parar com essa de consumir sem precisar?
É isso aí. Todo mundo quer ajudar, ninguém quer informar e muito menos parar de comprar.
sábado, 8 de dezembro de 2007
O Carnaval e a Farra do Patronismo
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
O Rei, 0 Presidente e a Mídia
No caso da Venezuela dos últimos dias, a mídia nacional brasileira provocou no cidadão mais antenado com seu mundo e com seu tempo, uma espécie de asco e, agora, depois da derrota de Chaves no plebiscito, que definiria se ele poderia ou não se reeleger indefinidamente, pudemos realmente entender como essa mídia, ora tagarela uma coisa e a usa para atacar um oponente, ora esconde outra, para acabar de vez com a verdade.
No caso do presidente Chaves, ofendido pelo rei da Espanha, que está no poder indefinidamente e o conseguiu por meios ilícitos e não populares, a mídia o defendeu com unhas e dentes. Um rei-ditador mandando calar a boca um chefe de estado legitimamente eleito pelo seu povo. E a mídia ainda o defende.
Aos olhos da mídia, o rei-ditador sim, esse sim poderá ficar indefinidamente no poder, mesmo que não eleito pela população, mas, ao contrário, o Chaves, o chato, aquele que privatizou os bens de seu país, que devolveu empresas, dinheiro e dignidade aos seus cidadãos, que enfrenta os absurdos da era Bush, esse não, esse não pode ser presidente quantas vezes o povo quiser. Está proibido. Aos olhos da mídia isso não seria bom, não seria justo, não seria correto.
Fica aqui então declarado a partir de hoje, que a mídia não gosta de presidentes eleitos, apenas de reis-ditadores.
sábado, 1 de dezembro de 2007
A Mídia, a Arte e a Guerra
Em meio a uma avalanche de opiniões contrárias que vão, desde a do secretário de segurança do Rio de Janeiro até o seu Manoel da padaria, o jogo "War In Rio", criado por Fábio Lopes, foi a coqueluche da semana.
O que não ficou bem explicado pela imprensa e pela mídia em geral é, porque um simples jogo, cujas regras foram baseadas na violência dos diversos grupos que brigam pelo poder nas áreas pobres e suburbanas do Rio de Janeiro, causou tanta comoção.
Seria simples explicar que, mesmo que o designer ache que seu jogo foi apenas uma brincadeira de mau gosto, trata-se mais do que isso. Trata-se de arte. Sim, isso mesmo - trata-se de arte.
A arte é assim mesmo. A arte é teimosa, turrona e mal educada com os absurdos. Não admite ser enganada. Não tem medo de reações. Aliás, a arte adora reações.
O que está acontecendo nesse país é que o cidadão comum já não reconhece a arte. Está envolvido com o entretenimento até o pescoço e com a idéia de que entretenimento é arte. Quando então a arte aparece, ele já não a reconhece.
Existe uma diferença fundamental entre arte e entretenimento. Enquanto o entretenimento faz apenas isso, ou seja, entreter, ludibriar os sentidos, enganar. A arte, pelo contrário, desperta, faz os sentidos, a mente e o espírito acordarem. Mostra novos caminhos, novos conceitos, altera paradigmas.
O jogo do designer Fábio Lopes não é apenas um jogo, mas um objeto de arte. Por essa razão causou tanta discussão e polêmica. Ao colocar num tabuleiro qualquer os personagens da famigerada guerra civil carioca, o designer materializou o sentimento e deu luz à consciência de milhares, senão milhões de pessoas no país. O jogo não é apenas um objeto de design. O jogo é uma obra de arte que ressalta a banalização da vida dessa pobre gente que vive vilipendiada por um poder público inócuo, assim como inócuos são seus representantes. E também, pelas facções, todas elas bandidas, que se aproveitaram do vácuo de atenção deixado por esse mesmo estado.
Além disso, o jogo do designer coloca uma outra questão, também não menos séria, que é a da definição do que podemos ou não expressar. Claro que o secretário de segurança pública do Rio de Janeiro se sentiu perturbado. Falou até em apologia ao crime. Como se o jogo, no caso, a meu ver, a obra de arte, fosse levar mais corrupção, milícias e traficantes para os morros do Rio. O que fica bem claro então, é que num país onde existe uma ditadura da informação e do entretenimento, fazer arte, se expressar genialmente, pode virar até crime. Isso é um grande perigo. O maior de todos.
Existe uma história muito interessante sobre Picasso.
Dizem que depois de ter pintado Guernica, recebeu a visita de um oficial nazista em seu atelier. O oficial passou cuidadosamente os olhos sobre a obra do mestre, que retratava os horrores do bombardeio da força aérea e exército do generalíssimo Franco sobre a população civil da cidade de Guernica, na Espanha, com o apoio de Hitler. Passou os olhos, andou de lá para cá e daqui para lá, enfim, com olhar inquisidor, dirigiu-se a Picasso e disse:
- Foi você quem fez isso?
E Picasso, com seu humor sarcástico de artista vivo e genial lhe respondeu:
- Não, foram vocês!
Agora fiquei sabendo por que as galerias de arte desse país estão cheias de lixo, de vazio, de arte morta. É porque estamos assistindo, há mais de uma geração, ao poder do entretenimento.
Arte é coisa séria. Artistas de verdade foram perseguidos em todas as épocas. Suas idéias sempre foram perigosas. Sempre alertaram, iluminaram o que estava escuro, escondido nas entranhas do poder e da maldade.
Agora eu sei também porque a lei Rouanet é tão perversa. Essa lei de incentivo, criada na era Collor, visa apenas ao entretenimento e não à arte. Jogou a decisão do mecenato nas mãos de marqueteiros de grandes empresas, que não estão nem aí para a cultura do país, mas estão muito aí para o marketing das empresas as quais representam.
Por exemplo, se eu fizer um filme, uma série de quadros, um peça, um musical, uma coreografia, ou o que for, falando sobre a derrama de óleo na Bahia de Guanabara, será que vou ter patrocínio da Petrobrás?
Duvido!
Ficam aí então as perguntas:
Onde está a arte do país?
Porque tanto entretenimento?
A quem serve essa lei Rouanet?
Posso fazer arte tranquilamente? Não vou ser punido por isso?
Parece um imbróglio esse texto, mas não tem jeito.
Uma discussão acaba levando à outra.
Tudo está interligado.
A vida é assim e a arte sabe disso.
Tomara que nossos artistas também.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Por favor, não nos confunda dona mídia
domingo, 25 de novembro de 2007
Eu Não Quero Ser Chinês!
Se a imprensa nacional nos desse a possibilidade de saber realmente o que acontece com os nossos irmãos chineses e sobre a economia e política que os controlam, jamais compraríamos as porcarias que vem de lá.
Isso porque a China, esse gigante que cresce mais de 10% todos os anos, conseguiu juntar o pior do capitalismo com o pior do comunismo.
Por que vocês acham que esse país cresce tanto e tão vertiginosamente? Porque, é claro, lá as pessoas não são pessoas, mas escravos de um sistema horripilante de manipulação, segregação e pobreza.
O que mais me incomoda é que a mídia brasileira, acompanhando a tendência mundial que vê na China nosso modelo econômico, esconde as verdadeiras conseqüências do que se planta por lá. Claro, não são bobos os senhores poderosos. Alguém um dia pensou o seguinte: em vez de criticar a China pelos maus tratos à população, vamos tomá-la como modelo e transformar todo mundo em chinês; dá mais lucro!
Você, por exemplo, compraria um produto sabendo que ele foi fabricado por alguém que trabalhou doze horas por dia para ganhar trinta dólares em um mês? Você compraria esse produto mesmo sabendo que dessa forma ele está roubando seu emprego aqui no Brasil?
Pois é exatamente isso que está acontecendo.
Em vez de povos, ditos democráticos, denunciarem as más condições de vida daquela gente sofredora, resolveram dizer que os caras estão por cima. Que estão caminhando para um futuro grandioso. Será mesmo que uma nação que tem atualmente mais de oitenta por cento de seus rios contaminados, dois terços de seu território em estado de pré-desertificação, que não está nem aí para o meio ambiente e que transformou seu povo em escravo tem futuro? É óbvio que não, mas estão crescendo 10% ao ano. Isso é o que importa. Além do mais, estão dizendo ao mundo todo que, se os trabalhadores (escravos) chineses podem viver com trinta dólares por mês, por que o resto do mundo também não pode? Se você fosse um megaempresário ou o presidente de um grande conglomerado que só visa o lucro, não ia gostar da idéia?
Pois bem, eu não quero ser chinês!
sábado, 24 de novembro de 2007
A Erotização Como Solução Para a Educação
domingo, 18 de novembro de 2007
Da Burrice de Quem se Apega ao Velho
sábado, 17 de novembro de 2007
O Rei Pediu e a Imprensa se Calou
Propaganda maliciosa que é feita diariamente nos meios de comunicação do país, mas que aumentou consideravelmente com o "cala a boca" do rei.
Muito se repetiu na mídia do país o "porque não te calas" do monarca, à título de mostrar e provar como o presidente eleito da Venezuela é chato e mal educado. Tem até toque de celular com a frase, que no meu entender é comprado por gente que não entende nada de nada.
O que a mídia esqueceu de dizer é que, mesmo sendo chato, Hugo Chaves foi eleito pela maioria de seu povo e o rei não. Esqueceu também de dizer que a república espanhola foi consquistada por uma revolução facista que restaurou a monarquia. Depois que o generalíssimo franco bateu as botas o rei Juan Carlos foi coroado e não queria muito a redemocratização de seu país.
Mas para a mídia valia mais a pena coroar novamente o rei do que dizer que Chaves estava certo quando chamou Aznar de também facista.
O que poderia ser interessante em casos assim, seria a mídia mostrar a história como ela é. Contar a verdade sobre o rei. Rei é rei. Não tem nada a ver com democracia. Rei no mundo de hoje é um fantoche moderno inventado para dar um pouco de sustentação ao poder. Para os súditos pensarem que sempre haverá alguém que os proteja.
A mídia também devia ter perguntado a Zapatero, que defendeu Aznar com unhas e dentes, se mesmo sendo eleito pela maioria da população espanhola, o antigo primeiro ministro teria direito de ajudar a tramar a derrubada de um governo fora de suas fronteiras. E também quais os motivos que o levariam a ter feito isso. Porque quem conhece o episódio já sabe que isso está mais que provado.
Mesmo achando que Chaves tem o mesmo perfil de gente que pensa como ele. Que também quer se eternizar no poder, ainda acho que não se pode contar a história do jeito que está sendo contada.
Pois é. Ficam questões no ar. Inclusive aquelas que levantam a hipótese de que a mídia não está contando a verdade. Não está comprometida com a verdade porque já está comprometida com alguém(s) ou alguma(s) outra(s) coisa(s). Com quem ou o que será?
O grande irmão e o grande inimigo
Devemos a partir de agora ter muita cautela em nossos julgamentos quando lermos notícias sobre as mudanças climáticas. As mídias internacional e local querem nos confundir através de frases de efeitos.
Essas frases, como a que o Cosmo on line de Campinas publicou essa manhã, e que mais desinforma do que informa, que “Os especialistas do IPCC, Prêmio Nobel da Paz 2007 junto com o ex-vice-presidente americano Al Gore, estão reunidos em Valência desde segunda-feira para aprovar e apresentar seu quarto e último relatório sobre as mudanças climáticas do planeta, que servirá para orientar as decisões internacionais quanto à luta contra este fenômeno”.
Através de textos e histórias desse tipo, tentam nos fazer acreditar que essas mudanças são o nosso novo inimigo. Deveria ficar claro que nosso inimigo somos nós mesmos, com nosso consumismo exacerbado, nosso egoísmo e nossa falta de atenção aos problemas urgentes do planeta. Problemas esses que vão desde o estúpido acúmulo de riquezas, como também o de problemas sociais gravíssimos causados por nossa falta de amor.
As mudanças climáticas não são o “inimigo”, mas o fruto de nossas ações. Não podemos lutar contra esse inimigo tão poderoso, mas amenizar os sofrimentos dos que vivem à margem da sociedade. Nos momentos de caos que estão para vir, iremos observar que populações de países onde as diferenças sociais são muito grandes; onde as pessoas já estão abandonadas há tempos, nesses países e regiões será muito mais difícil encontrar soluções rápidas para o que foi esquecido e deixado de lado em muitos anos de roubos e corrupção. Tudo virá à tona, então vamos entender o verdadeiro desastre que se abateu sobre nós. Saberemos as verdadeiras causas de tantos tormentos. A mídia já não está conseguindo esconder a urgência do problema e suas conseqüências. Daqui para frente ficará cada vez mais difícil esconder que os políticos, sejam eles de qualquer lugar, há muito tempo abandonaram seus povos e suas missões e, a mídia dos jornais e das TVs e seus donos e dirigentes, sempre de braços dados com os poderosos, ficará conhecida no futuro como o instrumento dessas tenebrosas ações.
domingo, 21 de outubro de 2007
Por favor, não toquem o hino nacional...
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Filhos da Orfandade
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Ainda o caso Madeleine
domingo, 30 de setembro de 2007
A Democracia que a mídia não vê
terça-feira, 25 de setembro de 2007
O etanol já é besteirol
domingo, 23 de setembro de 2007
A Imprensa Maria vai com as outras
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Quando não há o que comemorar...fica-se em silêncio
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
A hipocrisia que a mídia não vê e ainda nos esconde
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
As outras ingerências das agências
domingo, 12 de agosto de 2007
A mídia, a vítima e o bandido
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Vai para China? Leva máscara!
Parabéns, vocês merecem!
Por setor, as eleitas foram Officer (atacado), Fiat (auto-indústria), CBC (bens de capital), Natura (bens de consumo), Wirex (eletroeletrônico), Mantecorp (farmacêutico), Engevix (indústria da construção), Positivo (indústria digital), Samarco (mineração), Suzano (papel e celulose), Copesul (química e petroquímica), Visanet (serviços), Caraíba (siderurgia e metalurgia), Telemar (telecomunicações), Alpargatas (têxtil), TAM (transporte), Lojas Americanas (varejo), além da própria Santa Elisa (energia).
domingo, 5 de agosto de 2007
De como só existe uma saída ou a história de nós mesmos
Fico imaginando se essas informações, ou melhor, essas desinformações, também fossem tão enfatizadas em outras coisas que afetam nossas vidas.
Já pensaram, por exemplo, se essa moda pega pra valer?
Imaginem se todos os dias, durante anos e anos seguidos, os jornais, as revistas as televisões, ficassem martelando incansavelmente em nossas cabeças algumas frases tipo “só a democracia é um regime confiável” ou então “a economia do país em primeiro lugar” ou ainda “nossa salvação está no etanol” e ainda “a Petrobrás não polui”. Já pensou? Já pensou o que aconteceria com as novas gerações se algumas frases como “morar na favela é legal e chic” ou “se você não fizer uma faculdade não vai ser ninguém” ou ainda “trabalhar mais de oito horas por dia é normal” e, que tal “tudo que ouvimos na imprensa é verdade”?
Já pensou mesmo que triste seria assistir um povo inteiro, que de tão dominado por essas “crenças” não mais questionasse a própria existência e suas próprias vidas?
Vocês conhecem algum país assim? Onde as pessoas têm a certeza de que a economia é a causa da evolução de um povo e não o contrário e lógico, ou seja, que uma economia forte é conseqüência de um povo e de um país que evoluiu e cresceu?
Vocês conhecem um país onde as pessoas que moram nas favelas, em becos sujos e mal iluminados, que têm que subir duzentos degraus para chegar até seus barracos sem água encanada, que têm que passar todos os dias entre bandidos armados que distribuem drogas a seus filhos e, de vez em quando, ainda travam verdadeiras guerras com armas pesadas, com muitas baixas, e expõe os moradores aos perigos dessas guerras? E essas pessoas ainda assim achassem que é muito legal morar nesses buracos, no meio da pior ralé que pode existir dentro das sociedades, essa ralé formada por bandidos, traficantes, seqüestradores, estupradores. Você conhece um país com gente assim?
Vocês poderiam me dar como exemplo algum país cuja população acredita realmente que, depois de mais de trezentos anos do fim do ciclo da cana-de-açúcar, em pleno século XXI, cuja força dos países mais evoluídos está na capacitação tecnológica e no investimento em pesquisas de ponta, esse país e sua população passassem a acreditar que plantando cana novamente construiriam um país moderno? Que seus filhos seriam felizes plantando cana para grandes empresários e empresas multinacionais, mesmo que os defensores dessa política agrária soubessem que não existirá nenhuma chance dessa política dar certo, porque os indianos já descobriram que o sorgo produz muito mais álcool a um custo muito mais baixo?
Vocês talvez conheçam e possam me dizer, onde fica um país cuja população acredita de verdade que está sendo informada e que todas as informações que recebe não passam por nenhum crivo de censura prévia, por nenhum órgão governamental que escolha como as informações podem ou não podem circular e, cujas empresas distribuidoras de notícias não tenham vínculo de poder com esses mandatários? Vocês sabem onde fica esse país?
Vocês conhecem algum lugar cuja população acredita piamente que o regime democrático é o único que pode funcionar, mas que jamais deixaria de procurar um especialista quando o caso fosse saúde ou um problema no motor do automóvel? Vocês conhecem tal lugar? Um lugar onde as pessoas já não param seus afazeres para refletir se poderiam existir outras possibilidades de governo além de uma pseudodemocracia vigente, cujos governantes recebem o voto popular porque distribuem dinheiro aos mais pobres (que são a maioria) através do que eles chamam de “bolsas” de ajuda? Vocês podem me dizer onde fica tal lugar, cuja democracia é tão democrática que sua população é “obrigada” a votar? Vocês conhecem esse tal lugar? Esse lugar, esse país, esse estado cujas pessoas que ali sobrevivem já esqueceram que podem existir formas mais evoluídas de governo, tal como aquela que permite apenas aos bons, honestos, justos e capazes assumirem o poder?
quarta-feira, 25 de julho de 2007
Perguntas que não querem calar II
- Se o petróleo é nosso, posso pegar a minha parte anual em gasolina?
- Se o Brasil é um país de todos, por que somente alguns controlam grande parte do dinheiro?
- Se tem tanta empresa patrocinando o esporte no país como aparece na TV, por que alguns atletas corredores treinam descalços?
- Se estão todas as crianças na escola – e já o ex-presidente FHC recebeu até medalha na Inglaterra por isso – quem são essas crianças que cheiravam e ainda cheiram cola na esquina o dia todo?
- Se eu andar sem o cinto de segurança eu levo uma baita duma multa. As pessoas que andam de pé nos ônibus públicos também são multadas?
- Se, como diziam as últimas propagandas eleitorais, nós somos os patrões, eu posso mandar alguns políticos embora por justa causa?
- Se quando votamos em alguém, estamos usando a melhor maneira de escolha de nossos representantes e podemos ter certeza do avanço e sucesso da nação, por que não usamos essa maneira de escolha também no casamento, nos investimentos, enfim, em todas as nossas escolhas?
- Se vivemos num país de todos, onde todos são iguais, por que então alguns se aposentam com oito anos de mandato e outros se esfolam até a velhice pegando no pesado?
- Se o salário mínimo é realmente justo, e dá condições de vida ao trabalhador, por que então os políticos não podem viver com apenas um?
- Se eu não pagar meus impostos, posso até ir para a cadeia. E se alguém roubar esse dinheiro? Vai para a cadeia também? Você conhece alguém que fez isso e está preso?
- Se eu disser uma mentira e com ela prejudicar alguém eu posso ir para a cadeia. E se eu fizer uma promessa e não cumprir, e, além disso, prejudicar milhões de pessoas; vou preso também?
Perguntas que não querem calar.
A mídia, que penso eu, deveria ser um instrumento para que essas perguntas fossem respondidas, não anda me satisfazendo. Sinto-me um trouxa.
Eu, você, todo mundo que questiona a vida com seriedade tem algumas.
Deixo abaixo uma lista das que agora me lembro:
- Se eu, e os demais passageiros que andam em meu carro, têm que usar cintos de segurança, porque então vejo pessoas sendo espremidas dentro dos transportes públicos da minha cidade, caindo pelas janelas. Isso não é perigoso também?
- Se a CPMF foi criada para salvar o sistema público de saúde e sua arrecadação bate recordes todos os anos, por que esse mesmo sistema de saúde deixa morrer pessoas na fila de espera todos os anos. Por que nossos hospitais públicos estão um caos?
- Se eu pagava o licenciamento do meu veículo para manter as estradas, porque hoje também tenho que pagar os pedágios mais caros do mundo e continuar pagando o licenciamento ainda muito mais caro de antes das privatizações? As estradas federais estão melhores? Se estão melhores, por que então houve aquela operação tapa buracos do ano passado?
- E se então, os impostos que eu pago deveriam ser utilizados para que meus filhos tivessem ensino de qualidade, porque estamos quase caindo fora da lista do ranking mundial?
- Porque pagar planos de saúde particulares, já que os impostos que pago deveriam ser revertidos em sistemas públicos de saúde de qualidade?
- Por que os políticos quando adoecem não freqüentam hospitais públicos?
- Por que os filhos dos políticos não freqüentam escolas públicas e, muitos deles estudam fora do país?
- Por que a dona Marisa pediu cidadania italiana dizendo que queria ter uma velhice tranqüila?
- Se o trabalho infantil é proibido, essas crianças que trabalham nas televisões do país não ganham salário? Se ganham, como pode uma criança de cinco anos trabalhar, já que é proibido? Os nossos filhos de cinco anos também podem trabalhar?
- Se quando eu ficar devendo R$ 100,00 meu nome vai para o SPC e eu não posso mais contrair dívidas nem ter direito a crédito, para onde vão os nomes das empresas que devem á receita, ao INSS? Existe também um SPC para isso?
- Se nossos filhos com 16 anos de idade podem votar e, dessa forma, dirigir os rumos de um país e seus milhões de habitantes, por que não podem dirigir um automóvel?
- Se eu for preso roubando um frango no supermercado, por que tenho que responder processo por roubo na prisão, e quem rouba mais de 100 milhões dos cofres públicos pode responder em liberdade?
- Se eu roubei um frango, como posso pagar um advogado para me defender? Seria melhor roubar 100 milhões?
- Se agora na CBO, a Classificação Brasileira de Ocupações do IBGE, ser prostituta é profissão, posso montar um curso de formação? Posso convidar a Dna. Marisa para ser a paraninfa da primeira turma?
- Se o presidente diz sempre que não sabe de nada, ele pode ser presidente? Você contrataria um gerente que nunca soubesse de nada?
- Se democracia é uma coisa realmente boa, porque as empresas não são democráticas?
- Se democracia funcionasse mesmo, será que eu poderia chegar tranquilamente num hospital, com sérios problemas de saúde, e esperar que os faxineiros, os motoristas, as enfermeiras (essas eu até esperaria), os eletricistas, etc. Ou seja, todo mundo que trabalhasse ali, decidisse meu caso no voto? Será que o médico iria aceitar isso? Será que eu ficaria bem?
- Se o país anda realmente tão bem, sem problemas econômicos, sem violência, por que então nossos políticos andam de carros blindados e cheios de segurança?
- Se quando eu compro um jornal, assisto o noticiário de TV, ou leio informações pela internet, sempre recebo informações exclusivas, por que elas são tão iguais?
- Quando eu me formar na universidade vou conseguir um bom emprego? Por que então vejo tanta gente formada trabalhando e ganhando tão pouco?
(continua na próxima edição)
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